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CNC, O QUE É ISSO?

No próximo mes  de Novembro será realizada aqui em Brasília-DF a Terceira Conferência Nacional de Cultura  com a participação de todos os representantes estaduais ligados ao setor cultural.

Estima-se a presença de aproximadamente 3.000 participantes ao encontro para discutirem propostas que visem a implementar a área de cultura, ampliando a inclusão e democratização do mesmo.

Não ouvimos aqui a voz de grande parte dos interessados, por falta de interesse ou alijamento do processo e atrair esse contingente é uma das tarefas que fazem parte do esforço dos órgãos competentes.

Mas o que quero aqui ressaltar é que grande parte das metas estabelecidas na II Conferência Nacional de Cultura sequer deram o primeiro passo.

Então a pergunta que fica é: se não conseguimos atingir nem  10% das 53 metas do II CNC, é para que mesmo a III CNC?

Estamos caminhando em círculos e damos três passos para trás e meio passo para o lado.

O Ministério da Cultura não ataca o cerne da questão e continua fazendo o jogo espúrio das grandes corporações.

O Procultura, na versão de Juca Ferreira, continua engavetado no Congresso Nacional, enquanto isso a Ministra da Cultura Marta Suplicy, fica envernizando a ferrugem que graça no sistema.

Isso nos remete a questionar também a eficiência e eficácia desses Fóruns Setoriais, que nada mais são do que penduricalhos que visam dar uma sensação de que a sociedade civil participa das decisões no âmbito do Ministério da Cultura.

Um exemplo flagrante disso foi a aprovação pela Ministra Marta de verba da cultura para a realização de um desfile de modas em Paris, contrariando decisão de técnicos responsáveis pela aprovação do projeto.

Feito um rolo compressor ela passou por cima das decisões de seus técnicos .

Houve aumento de 95% do emprego formal no setor cultural, conforme estabelece a meta 11 aprovada na II CNC?

100% das escolas públicas de educação básica estão com a disciplina de arte constantes em sua grade regular para ensinar cultura brasileira, linguagens artísticas e patrimônio cultural, como foi estabelecido na meta 12 do II CNC?

Desde 1996, a Arte é reconhecida, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), como disciplina integrante do currículo das escolas e não apenas como uma atividade educativa. No entanto, apesar de essa lei ter tornado obrigatória a disciplina de Arte, nem todas as escolas oferecem esse ensino aos seus alunos.

A disciplina de Arte deve atender às orientações do documento Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Deve também dar ênfase aos conteúdos de cultura brasileira, linguagens artísticas e patrimônio cultural, incluindo, entre outros temas, a história indígena, afro-brasileira e africana.

150 filmes brasileiros de longa metragem foram lançados por ano em nossas salas de cinema desde o II CNC, conforme estabelece a meta 21 do referido encontro?

O produtor de cinema brasileiro além de sofrer com a dificuldade de acesso aos recursos, tem ainda uma dificuldade enorme em estabelecer um circuito de exibição nas salas de cinema do País.

O Teatro foi citado num bolo e nem ao menos teve uma meta específica estabelecida para si, o que levou-me a pensar que nesse rol de representantes com assento no II CNC, não havia nenhum ator e ainda de que todos os atores que aqui atuam, não fazem parte do Brasil Oficial, mas sim de um outro Brasil, aquele onde existe povo e protagonismo.

A Contrapartida da meia entrada.

Toda vez que um artista vai em busca de patrocínio, financiamento, etc, no projeto ele precisa oferecer uma contrapartida social entre outras. Difícil precisar quantos artistas de várias áreas atuam profissionalmente no Brasil, mas acredito não estar longe da verdade ao pensar que cerca de 90% produzem arte com recursos próprios, sem prêmios, incentivos, patrocínios e financiamentos – públicos ou privados.

Com essa moda de os políticos oferecerem “meia entrada” (não seria essa já uma outra modalidade de contrapartida social?) a torto e a direito, fazendo leis dispondo livremente do nosso trabalho, fazendo campanha e cumprimentando demagogicamente a população com o nosso chapéu somos, LEGALMENTE OBRIGADOS a abrir mão da nossa remuneração. Sim, a maioria esmagadora da população não sabe que quando um estudante ou idoso paga meia está saindo do bolso do artista! que ainda assim paga TUDO em sua vida integralmente. Não apenas se paga tudo integralmente como também os profissionais que trabalham nas produções PRECISAM RECEBER e as diárias de ocupação dos teatros (públicos ou privados) são cada vez mais altas.

De outro lado, quando vamos assistir um filme, uma peça, comprar um livro, pagamos o ingresso integral, a livraria cobra o valor total do livro e por aí vai.

Em solidariedade, ALGUMAS produções oferecem 50% de desconto no ingresso ao colega profissional de artes cênicas, mas não são todas.

Pergunto-me por que não incluir nessas leis antes citadas também o desconto obrigatório ao artista? Em cada bilheteria, Brasil afora, a que chego sempre pergunto se há desconto para artista. A maioria não só nega como faz cara feia.

Ora, mas se justamente NÓS artistas somos os maiores prejudicados nessa politicagem toda, por que não fazer com que, compulsoriamente, toda bilheteria dê 50% de desconto ao artista devidamente registrado e com documento (com foto) comprobatório em mãos? Toda livraria dê 50% de desconto a artistas? E aí podemos sonhar e lutar por 50% de desconto em farmácias, médicos, hospitais (eu já conto com a boa vontade de contador e de um médico que recebem quando eu recebo cachês que demoram até um ano pra serem pagos), supermercados, energia elétrica, água, gás – por que não? Seria também forma de incentivar a profissionalização dos artistas, não?

Seria ótimo começar a reaver parte dessa baderna que virou a ‘contrapartida’ no Brasil. Se eu dou metade do meu ingresso de graça, poderia ganhar descontos proporcionais em serviços públicos, que tal?

Ideias pra fazer pensar.

|Estreias e estragos|

Talvez seja da ‘ordem do artístico’ realizar várias atividades simultaneamente… Acabamos nos tornando versáteis, multifacetados. ‘Abraçamos’ projetos, como quem abraça um velho amigo de infância, reprogramamos nossas vinte e quatro horas para dar conta de elaborar, produzir, executar, reunir, avaliar… E, nesse ritmo frenético de quem busca na arte sua forma de expressão, nos encontramos em algum lugar – quase sempre com aquela sensação de ter ‘esquecido alguma coisa’ e com a boa e velha mochila com papéis e acessórios de ensaio – transitando, inevitavelmente, entre estreias e estragos.

Quem não conhece aquela senhora com cabelos brancos, olhar curioso, fala contida, que às vezes chega com hora marcada e local definido? Ou aparece de repente e nos surpreende enquanto fazemos nossas coisas de sempre? Não tem quem não sinta um pedaço da Sibéria no estômago! E, por mais que tenhamos estreado inúmeras vezes, seja na nossa arte, ou no nosso fazer diário, não há quem seja completamente imune às suas dores e delícias! As primeiras vezes são ‘as primeiras vezes’ e, feliz daquele que se coloca a estrear sempre! No entanto, sem mais nem menos, ou por alguma razão que ‘mais tarde’ iremos perceber, não raro, nos deparamos com um menininho inquieto, desajeitado ainda, que chega interrompendo o processo e chamando atenção: o estrago. Bom, quem não o conhece?! Quem nunca torceu o pé na véspera, esqueceu o texto ‘naquela audição’… É um pesadelo quando eles se encontram, lamentamos quando a estreia termina e desejamos que o estrago seja breve!

Acabo de estrear o que eu ‘carinhosamente’ denominei de ‘a maldição do título!’ Explico. Sou atriz e bailarina e otras cocitas más, como iniciei este texto, não fujo a regra: faço muitas coisas e aceito vários projetos. Um deles é o desafio de, semanalmente, escrever um texto para este site que tão generosamente nos acolhe. Bem, desde que eu aceitei mais este desafio, foi que aconteceu a maldição: antes do texto veio o título e, a partir daí, quase que uma ‘obsessão’ em perceber os acontecimentos como estreias ou estragos e, pior, por estar tão absorvida pelas senhoras e meninos que cruzei nestes quase trinta dias, todas as tentativas de dar forma ao ‘Estreias’ – o título já virou íntimo! – era precedida por um completo bloqueio! Pavor!!! Alguns devem saber o que isso significa! E, além da mais completa ‘câimbra literária’, o mundo havia tornado-se estranhamente estreito: estreia, estrago, estrago, estrago, estreia… E isso precisava ter fim. Chega de senhoras gentis e envolventes e meninos desajeitados!!!

Talvez fosse mais interessante fazer uma análise metafórica, em crônica, dos paradoxos que envolvem a estreia, poderia engendrar linhas e linhas da mais pura ficção que teria por moral que toda a estreia contém um estrago e vice versa. E faria, quem sabe ainda, rimas do ‘vão’ que há entre um e outro e da ‘vã’ tenacidade humana em querer explicar tudo. Não. Eu só quis fazer um texto, sem ‘cara’ de crônica ou poesia; Quis organizar algumas ideias em linha reta, quis fazer alguma coisa para poder chamar de feita e, enfim, dar vazão ao título e ter, finalmente, minha mais nova estreia.

Voilà!

|Rita Guerra :: estadoimaginario@gmail.com

Crítica do Espetáculo “A Madrinha Embriagada”

Madrinha 1 Caio Gallucci Madrinha 2 Caio Gallucci
Créditos das fotos: CAIO GALLUCCI

Com longa temporada, que vai de 17 de agosto de 2013 a 29 de junho de 2014, o projeto educacional SESI-SP em Teatro Musical, traz ao Público Paulistano a oportunidade de vivenciar e se apaixonar pelo teatro musical com o espetáculo A Madrinha Embriagada. A Versão e Direção do original The Drowsy Chaperone é assinada nada mais nada menos que por Miguel Falabella.

Com produção do Atelier de Cultura e uma talentosíssima equipe técnica, a versão brasileira surge com uma proposta de homenagear os muitos atores e atrizes que fizeram história em nosso país.

Ambientada no final dos anos 20 na cidade de São Paulo, o espetáculo conta duas histórias paralelas. O Homem da poltrona apaixonado por seus discos de vinil onde estão seus musicais favoritos, e a comédia musical encenada no tradicional Theatro São Pedro que ele dá vida no palco através de sua imaginação.

Com nomes consagrados como Ivan Parente, Sara Sarres, Stella Miranda, Saulo Vasconcelos, Kiara Sasso e grande elenco, as músicas ganham vida de uma maneira brilhante. Brilhante também é o trabalho de cenografia assinado por Renato Theobaldo.

A produção é tecnicamente perfeita, sendo impossível encontrar qualquer detalhe, seja figurino, iluminação ou mesmo o trabalho dos músicos que do alto do cenário tocam ao vivo, qualquer detalhe que mereça menores elogios. É um grande show de produção.

Aos amantes do teatro, e aos que desejam conhecer mais do universo do teatro musical, “A Madrinha Embriagada” com apresentações gratuitas, promove essa interação de onde com certeza o espectador sairá no mínimo encantado.

Os ingressos para o mês de setembro já se esgotaram, mas é possível entrar na fila de espera que ocorre antes do início de cada espetáculo. Já para os meses seguintes, os ingressos são distribuídos a partir do dia 20 do mês anterior pelo site do SESI ou na bilheteria do Teatro.

Teatro SESI-SP – Centro Cultural FIESP
Av. Paulista 1313 – São Paulo (Estação Trianon-Masp do Metrô)
Quartas e Sextas, às 21h
Sábados, às 16h e 21h
Domingos, às 19h

GRATUITO

POR: Fabio Alexandre, Ator e estudante de Arquitetura e Urbanismo. O típico rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.

PONTO DE COLISÃO

O historiador Célio Turino foi o idealizador que implementou no Brasil, quando da gestão de Gilberto Gil frente ao Ministério da Cultura, de uma das mais notáveis iniciativas de inclusão cultural que o Brasil já teve.

Na gestão de Ana de Holanda houve o esmagamento desses Pontos e muitos foram desarticulados por falta dos recursos oriundos do governo federal para a implementação do programa.

Com uma política cultural que privilegia o mercado em detrimento da arte, os milhares de artistas desse país periférico foram novamente colocados à margem da participação nos programas de fomento às artes.

A classe artística brasileira pouco mobilizou-se para mudar essa filosofia mercantilista nas artes, dado o seu grande envolvimento com as empresas que ,via renúncia fiscal, beneficiam-se desse banquete pecuniário.

Não percebemos nos movimentos mais à esquerda nenhuma mobilização nas passeatas do mês de Junho para cobrarem das autoridades um posicionamento definitivo em relação à extinção da Lei 8313, mais conhecida como Lei Rouanet, e nem  os políticos progressistas sequer tocam no assunto, porque certamente isso deve colidir com os interesses dessas mesmas empresas que financiam suas campanhas eleitorais.

Uma vez satisfeitos os interesses da classe média, os movimentos artísticos elaborados pela periferia perdem a sensação de pertencimento, pois são vistos como párias sociais e sua arte relegada a uma visão reducionista, discriminatória e rasteira, como se a arte de conteúdo fosse apenas atributo de viventes enquadrados a partir da classe média para cima.

Admira-me que em pleno século XXI observemos esse ranço colonial elitista, numa Nação que luta com afinco para ter assento definitivo na ONU, numa Nação que luta para ser ouvida e respeitada por outras Nações e paradoxalmente relega a grande maioria dos artistas brasileiros ao limbo do esquecimento e da falta de apoio.

Essa arte oficial do Brasil não nos representa, porque está longe de ser o discurso do chão batido, do cheiro de mato e terra que tem a verdadeira arte brasileira, oriunda, gestada e parida no meio do povo.

CENTRO ESQUERDA À DIREITA

Tirei a tarde para passear. Sem rumo, nenhum destino.

E para pensar carros, ruas, pessoas, paisagens.

Eu queria ser ator para fazer o papel de um louco, um imperador, um mendigo.

Dei em música. Feliz. Muito.

Pensei sobre as manifestações de junho, nas pessoas quebrando coisas, dizendo coisas.

A polícia batendo. E como batia. E como doía assistir aquela violência. O sinal está vermelho para mim. Uma senhora cumprimenta-me, respondo-lhe.

Um carro da embaixada americana passa imponente. Aqui em Brasília tem disso.

E tem o Marco Civil. E tem o STF. O escândalo no Ministério do Trabalho e um Congresso que não trabalha, atrapalha.

Estou em frente ao Edifício Cidade Corporate, lindo. Foi ali que encontrei a ministra Marta.

Foi ali que conheci um vampiro chamado Capilé.

Uma criação da Lei Rouanet. Capilé não morreu, tem muitas almas. É que nem gato.

Mas já me dei por satisfeito em ter contribuído para ajudar a expor quem realmente é esse sacripanta.

Minha utopia. Um centro unificado de artes, onde todas as artes fossem ensinadas, menos a arte das guerras e das safadezas.

Hoje faz calor aqui . Convido-me para uma gelada no Balaio Café.

Penso nos partidos, mas tão partidos que nem conseguimos unir os fragmentos. Estilhaçados. Desfigurados.

Chaplin. Plínio Marcos. Navalha na Carne. Não é assim que vive o brasileiro?

Caldeirão do diabo.

Eu poderia ter sido um bombeiro, um gari, um enfermeiro.Dei em música.

Pensei nos 8 anos de governo do PSDB, sobre o que foi feito e sobre o que deixou de ser feito. Abri a porta da história e dei de cara com a Privataria Tucana, sai correndo por um beco e trombo com o Mensalão.

A cidade é bonita, mas tem muita sujeira debaixo do tapete, atrás da porta, nas frestas e nos sótãos.

Gente que mora na roça, nos morros, favelas, encruzilhadas, vielas. Mansões. Palácios.

E eu aqui andando sem destino e compromisso nessa tarde quente .

A Lei Rouanet é a trava do desenvolvimento das artes no Brasil.

Hei Marta, nas periferias brasileiras também existem artistas, na dança, no teatro, na música, na literatura, na pintura.

Apenas os ricos tem acesso aos grandes incentivos com o dinheiro do povo.

Empresas tributadas pelo lucro real podem entrar na festa. Geralmente grandes empresas e amplas influências.

A turma do lucro presumido foi barrada no baile, não tem approach.

O pesadelo da arte elitizada.

A falência dos partidos de centro esquerda no Brasil. Todos à Direita.

Eu poderia ter sido um mago, um vidente, um mágico.

Dei em música.

É O QUE?

A primeira leva de artistas apresentaram-se no Rock in Rio. Músicos Brasileiros e estrangeiros, apresentaram-se nos 3 palcos do evento levando milhares de pessoas ao acontecimento com cara de comida requentada, salvo algumas exceções.

Aproveito aqui para informar aos leitores desse site que o motivo pelo qual escrevo textos curtos é que em minha experiência percebi que as pessoas são refratárias a lerem longos textos.

Mas voltando ao Iê iê iê no Rio, tive conhecimento de que o Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, aprovou a captação de R$12 milhões de reais para a iniciativa musical.

Como fui alavancado à condição de novo classe média, graças ao estatal desenvolvimentismo lulista, tive a oportunidade de assistir em TV fechada o espetáculo, bem acomodado e tomando uma cervejinha para amainar o calor aqui em Brasília que está de fritar ovos no asfalto.

E ao assistir as apresentações dos “roqueiros” brasileiros fiquei com a sensação de “esqueceram o rock brazuca no backstage”. Invoquem Cazuza, manda chamar Renato Russo.

Estou velho e ranzinza, por isso essa rabugice. Ou, como disse Caetano, eu não estou entendendo nada.

Mesmo fatigado com tanto frufrufru, fiquei imaginando a criação do Festival Brasileiro de Teatro, onde por uma semana várias companhias teatrais , inclusive companhias internacionais apresentariam suas peças, com preços populares para que todos pudessem assistir às encenações.

Sonhar ainda é possível.

 

 

O TEATRO DO OPRIMIDO

Augusto Boal, sem dúvida nenhuma, tem o seu nome inscrito na dramaturgia brasileira, de forma brilhante por suas iniciativas inovadoras no campo do fazer teatral.

Sempre atento às questões políticas de seu tempo ele utiliza o teatro como forma de manifestação contra a segregação imposta pela classe dominante às classes pobres.

Uma das ideias de Boal é que o espectador ensaie as próprias mudanças sem delegar papéis aos personagens, desta forma conscientizando-se da sua autonomia diante dos fatos cotidianos, indo em direção a sua real liberdade de ação, sendo todos “espect-atores”.

Em um momento de grandes questionamentos no País é mister que o povo seja o protagonista das mudanças que deseja.

Nesse sentido o Teatro do Oprimido cumpre sua função político-educacional quando visa emancipar o sujeito passivo e torná-lo um transformador de sua realidade.

Para Boal o teatro de formatação aristotélica está longe de representar uma possibilidade efetiva de impulsionar o cidadão a  reivindicar  seus direitos.

Para Boal teatro representa ação.

Franco Zampari e o Teatro

A  história da formação do teatro no Brasil não pode ser contada sem mencionar-se o nome de Franco Zampari.

Empresário italiano, ele monta sua peça amadora em 1945, de sua autoria.

Em função dessa iniciativa ele começa a tecer maior relacionamento com o movimento de teatro amador.

Como os espaços disponíveis para encenação de peças na cidade de São Paulo eram poucos, por iniciativa própria aluga um espaço ao qual batiza de Teatro Brasileiro de Comédia.

A partir então de 1948, Franco Zampari começa a trazer artistas do exterior para as montagens dos espetáculos que viria então a realizar.

Num modelo de gerenciamento comercial procurava montar as peças visualizando o sucesso de bilheteria e as dificuldades técnicas das peças.

Mesmo com dificuldades financeiras batendo à porta do Teatro Brasileiro de Comédia, Franco Zampari não desiste e prossegue criando alternativas para que as mesmas  sejam superadas.

Franco Zampari lançou as bases do moderno teatro brasileiro e jamais desistiu da luta em prol do mesmo, tendo trabalhado com atores de renome do Brasil tais como: Paulo Autran, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Cleyde Yáconis, Walmor Chagas e tantos outros.

 Cacilda Becker  afirma que: “Até 1956 tudo conseguiu caminhar bastante bem, porém desse ano em diante, Zampari começa a lutar com dificuldades tremendas. (…) O governo não assistia o TBC. Zampari teria merecido apoio irrestrito de qualquer governo do mundo, mas o nosso nunca lhe ofereceu. (…) No enterro de Zampari, Alfredo Mesquita me disse: ‘O teatro brasileiro deve muito a muita gente, principalmente ao velho Ziembinski, a  Paschoal Carlos Magno, mas sobretudo a Franco Zampari. Todos eles deram tudo o que tinham, mas Zampari deu mais, deu a vida..

Desatar o nó Górdio da Cultura

O atual ordenamento legal da cultura implica em uma parceria Estado/mercado possibilitando a obtenção de verbas para as atividades artísticas,  sendo também motivo de  interesse da iniciativa privada que vê  na atividade um gancho para a alavancagem de seus negócios, enfatizando um ciclo de mais valia. Esse modelo capitaneado pela Lei 8.313 tem colocado nas mãos das grandes corporações, baseadas no Sul e Sudeste do Brasil a grande fatia do bolo. Corporações como o Banco do Brasil, Itaú Cultural, Petrobrás tem realizado uma verdadeira sucção dos recursos destinados à área da cultura em nosso País. Uma parcela da classe artística vem sendo triturada e vampirizada por uma outra organização denominada de Fora do Eixo que realiza captações, mas não remunera os artistas.

As leis de incentivo fiscal mantêm parte da indústria cultural em andamento e são o maior suporte de algumas estruturas produtivas, mas não lograram, contudo, trazer densidade, equilíbrio e sustentabilidade. A permanência dos mecanismos é econômica e politicamente sensível, tendendo à sedimentação de resultados injustos e regional e socialmente desequilibrados. As empresas apoiam as produções em troca de reconhecimento e prestígio para sua marca, procurando agregar-lhe valor e identidade a partir da distinção proporcionada pelo bem cultural. A atratividade do modelo para os investidores, com um retorno garantido de 100% do investimento como ganho contábil e, com a possibilidade de lucro no empreendimento, aliado à absorção do mecanismo pelos campos setoriais – a partir do surgimento de empresas e técnicos especialistas na intermediação – projeta uma dependência ao instrumento que, dadas as condições relatadas, tem muito pouca probabilidade de ser substituído por um modelo de sustentabilidade, sem a alteração do marco normativo e regulatório que lhe dá base.

Se parte da produção é beneficiada com tal forma de investimento, torna-se premente a ação de aperfeiçoamento dos mecanismos que lhes dão vazão, para que não se levem em conta apenas aspectos formais e contábeis de propostas e projetos, mas conteúdos, justificativas, estratégias e contrapartidas que vão além do mero enquadramento formal à letra das leis de incentivo fiscal. A legitimidade e a aceitação social e política a tais mecanismos não são estáveis a qualquer custo, dependem da conquista de legitimidade e da apresentação de impactos positivos em relação aos bens culturais e à dinamização da economia da cultura, que possam ser apropriados, ainda que simbolicamente, por toda a sociedade, e não apenas pelos agentes envolvidos.

Pela inclusão Cultural

Os primeiros delineamentos de uma política pública de cultura foram iniciados quando Celso Furtado foi Ministro da Cultura no governo do ex presidente José Sarney, onde foram criados os primeiros incentivos à cultura.

De lá pra cá houveram diversas alterações na estrutura do Ministério, que no governo de Fernando Collor foi rebaixado à categoria de Secretaria e , posteriormente, por força de Lei tornou-se Ministério.

A criação da Lei 8313 , mais conhecida como Lei Rouanet acabou dando ao mercado o poder de decidir o que incentivar mediante seu próprio entendimento, fazendo  com que as empresas contemplassem projetos artísticos que dessem visibilidade à sua marca/produto.

Dessa maneira a arte  oriunda das regiões periféricas não puderam ser beneficiadas pelo recursos provenientes desse dispositivo pois a não visibilidade desses grupos não despertou o interesse dos patrocinadores.

Isso fez com que a grande expressão de nossa riqueza artística fosse alijada do processo e alguns poucos tornaram-se os representantes de um fazer cultural nacional, que nem de longe representa a pluralidade artística brasileira.

Entre  mais recuos do que avanços, estamos vivendo um momento em que o Ministério da Cultura, nas mãos do PT, simplesmente chancela como tônica dominante a lógica de mercado , cujo processo completamente excludente não privilegia artistas desconhecidos, onde são canalizados quantias milionárias para alguns,como aconteceu recentemente com Marta abrindo o cofre para a alta costura ,enquanto grande parte tem mesmo é que trilhar por caminhos  independentes a fim de realizar seu trabalho.

Precisamos mobilizar toda a classe artística no sentido de pressionarmos por mudanças efetivas da legislação, pela aprovação do Projeto de Lei 6.722(Procultura) para que a inclusão cultural deixe de ser apenas um sonho e transforme-se  numa realidade, em um País com tanta desigualdade e distorção.

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